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terça-feira, 29 de setembro de 2015

OpenWRT: Fazendo Backups

Mais um artigo da série sobre o OpenWRT.

Antes de comentar como atualizar para a próxima versão do OpenWRT, achei interessante comentar sobre um assunto relacionado, mas tão importante que merece um artigo próprio: backups.

Tem gente que ainda confia em tecnologia. Brinco dizendo que não adianta rezar, só backup salva. Depois de fotos, vídeos, documentos, os roteadores são a última coisa que as pessoas se preocupam em fazer backup. Afinal de contas, para os mais simples, ele só contém o nome da rede e a senha. Porém, com o OpenWRT, seu roteador pode ser muito mais do que isto. O meu, em especial, é a central de comunicação, entreterimento e armazenamento da casa. Na prática, um servidor na rede com múltiplas funções. Como configurá-lo exige uma significativa quantidade de trabalho, sempre é bom evitar que você tenha que refazê-lo caso algo aconteça com ele.

Saindo do ambiente residencial, o tempo de restauração normalmente é crítico para ambientes empresariais. Neste caso, um backup "na mão" facilita em muito restaurar rapidamente um equipamento com defeito. Fora isto, backup podem ser utilizados para replicação "em massa", evitando o retrabalho de configurar o roteador "do zero" (para este fim, tem que recriar a entrada da ULA do IPv6).

Neste artigo, vou considerar que você conhece um básico do OpenWRT, como a estrutura que usa o squashfs com a overlay.

O OpenWRT tem backup? Sim, mas não de tudo. O backup do OpenWRT guarda somente configurações e dados selecionados do /etc. A lista do que ele copia pode ser vista com o comando "sysupgrade -l":
root@router:~~# sysupgrade -l
/etc/config/dhcp
...
/etc/sysctl.conf
/etc/sysupgrade.conf
São alguns arquivos pré-definidos, listados em /lib/upgrade/keep.d/ (pelos pacotes) ou em /etc/sysupgrade.conf, pelo usuário. Programas instalados não serão salvos, mas somente suas configurações (se estiverem em /etc/config ou forem explicitadas pelo mantenedor do pacote). É isto que é preservado quando você faz uma atualização do OpenWRT e pede para salvar as configurações. Compare isto com o conteúdo da overlay. Tudo que estiver lá foi modificado no seu sistema desde a instalação. O que estiver lá e não na listagem do sysupgrade, será perdido utilizando esta forma de backup. 

E quanto aos programas? Se você usa a firmware no formato squashfs, existem duas opções. A primeira é guardar a lista dos pacotes instalados e reinstalá-los. Para facilitar, você pode ver na /overlay:

root@router:~# ls /overlay/usr/lib/opkg/info/*control | sed -e 's%.*/%%;s/\.control//' | xargs

aiccu bind-dig bind-host bind-libs binutils block-mount coreutils-du coreutils ddns-scripts diffutils e2fsprogs...

Com a lista de pacotes salva, basta instalá-los após a restauração da configuração.

A segunda opção é guardar toda a overlay. Para salvar tudo mesmo que você fez desde a instalação do OpenWRT, é bom copiar a partição overlay. Um tar simples pode fazer o serviço. De um computador com Linux, execute:

$ ssh root@router tar -czv /overlay | dd of=backup-roteador.20150925.tgz

Isto compacta a /overlay em um tar e envia para o arquivo local backup-roteador.20150925.tgz sem criar o arquivo no roteador, que nem sempre tem espaço para isto. O WinSCP poderia copiar a overlay mas provavelmente você teria problemas com a permissão (perdida) dos arquivos. Se a overlay for pequena, você pode fazer o tar no /tmp (memória RAM) e copiar com o WinSCP:

root@router:~# tar -czvf /tmp/backup-roteador.20150925.tgz /overlay

Caso use Linux, fiz um pequeno script que faz a cópia do backup do OpenWRT, da lista de pacotes e da overlay em um único passo. Se seu roteador está em 192.168.1.1, só chamar:

$ ./fullbackup 192.168.1.1

E se eu não uso a firmware em squashfs? Primeiro você é corajoso pois se fizer algo de errado, não terá como usar a recuperação do OpenWRT. Contudo, isto não é um problema se o OpenWRT foi instalado em um PC ou VM. Para estes casos, faça o tar de todo o conteúdo. Só precisa tomar o cuidado de excluir os diretórios de dados voláteis (/proc, /sys, /tmp, /var/tmp, ...) ou simplesmente use a opção "--one-file-system" do tar para não sair da partição raíz.

E para restaurar tudo isto? Se for o backup do OpenWRT, pode ser feito pela interface web ou pelo comando sysupgrade. Se for pela overlay, recomendo entrar no modo de recuperação, zerar o roteador, montar a overlay e descompactar o conteúdo diretamente sobre a partição. Escrever na overlay enquanto ela estiver usada resulta em comportamentos incertos.

E, reforçando, não adianta rezar: só backup salva!

Se pintar um problema, tem sempre o fórum deste blog. Até a próxima.

sábado, 15 de março de 2014

OpenWRT: Lidando com a versão em desenvolvimento

Este é mais um artigo da série sobre o OpenWRT.

Tenho recebido o pedido de ajuda de pessoas que instalaram, intencionalmente ou por engano, a versão em desenvolvimento do OpenWRT (chamada de trunk). Ela é o que será a próxima versão estável, o Barrier Breaker, que ainda não tem data para lançamento.

Dependendo do roteador, se for um modelo novo, a versão trunk pode ser a única alternativa com suporte. Caso não seja o seu caso, recomendo fortemente sempre usar a versão estável.

OK, já estou rodando a versão trunk. O que eu faço agora?

Você tem algumas opções. A primeira é ficar com a versão trunk e viver com ela. Se estiver funcionando para você, ótimo! A segunda é fazer um downgrade para uma versão estável (12.09 - Attitude Adjustment). Por último, você pode voltar ao firmware original.

Vamos a primeira alternativa.

A versão trunk é, por definição, instável. Pode estar com os recursos que você precisa suficientemente estável. Pode estar com aquele bug que te atrapalha da versão estável corrigido. Pode ter um recurso novo que você não vive sem. Mas pode também resultar em uma firmware que simplesmente não funciona (raramente). Use-a por sua conta e risco.

O problema que mais escuto do pessoal que instalou a versão trunk é a ausência da interface WEB. Você inicia somente com um telnet ativo:
$ telnet 192.168.1.1
Trying 192.168.9.1...
Connected to 192.168.1.1.
 === IMPORTANT ============================
  Use 'passwd' to set your login password
  this will disable telnet and enable SSH
 ------------------------------------------

BusyBox v1.19.4 (2014-03-13 15:14:57 MST) built-in shell (ash)
Enter 'help' for a list of built-in commands.
  _______                     ________        __
 |       |.-----.-----.-----.|  |  |  |.----.|  |_
 |   -   ||  _  |  -__|     ||  |  |  ||   _||   _|
 |_______||   __|_____|__|__||________||__|  |____|
          |__| W I R E L E S S   F R E E D O M
 -----------------------------------------------------
 BARRIER BREAKER (Bleeding Edge, r39913)
 -----------------------------------------------------
  * 1/2 oz Galliano         Pour all ingredients into
  * 4 oz cold Coffee        an irish coffee mug filled
  * 1 1/2 oz Dark Rum       with crushed ice. Stir.
  * 2 tsp. Creme de Cacao
 -----------------------------------------------------
root@OpenWrt:/# 
Note o "BARRIER BREAKER (Bleeding Edge, r39913)". Isto significa que você está rodando uma versão instável ("Bleeding Edge") e na release r39913O aviso logo no começo indica que seria bom você definir uma senha pelo passwd (que desabilitará o telnet e habilitará o SSH), mas nada de interface WEB. O problema é que a versão em desenvolvimento não tem o Luci instalado.
root@OpenWrt:/# opkg list-installed | grep luci
root@OpenWrt:/# 
Mas não impede de você mesmo instalar.
root@OpenWrt:/# opkg update
root@OpenWrt:/# opkg install luci 
root@OpenWrt:/# /etc/init.d/uhttpd start
root@OpenWrt:/# /etc/init.d/uhttpd enable
A partir deste ponto, você já deve ter uma interface web funcional. Só entrar em http://192.168.1.1/. Agora, grande parte dos usuários terão capacidade de lidar com o OpenWRT, mesmo na versão trunk.

Algumas vezes isto não funciona pois o luci não configurou um tema. A interface web vai aparecer uma página de erro. Neste caso, você deve adicionar uma linha em /etc/config/luci (em destaque):

config internal 'themes'

option Bootstrap '/luci-static/bootstrap'

E a interface WEB estará funcionando.

A segunda alternativa é equivalente a um upgrade. Primeiro, localize a URL correta da firmware que você que gravar. Nesta situação, ela deve ter a palavra sysupgrade no nome. Vou usar o modelo TL-WR740N-v1 como exemplo. A URL da versão estável deste modelo na data da publicação deste artigo é:
http://downloads.openwrt.org/attitude_adjustment/12.09/ar71xx/generic/openwrt-ar71xx-generic-tl-wr740n-v1-squashfs-sysupgrade.bin
O processo pode ser realizado pelo telnet/SSH ou pela interface web (se fez o procedimento da primeira alternativa para ativá-la). Na interface web é só enviar o arquivo pelo navegador. Pelo telnet/SSH, estes são os procedimentos:
root@OpenWrt:/# cd /tmp/
root@OpenWrt:/# wget  http://downloads.openwrt.org/attitude_adjustment/12.09/ar71xx/generic/openwrt-ar71xx-generic-tl-wr740n-v1-squashfs-sysupgrade.bin
root@OpenWrt:/# sysupgrade -n openwrt-ar71xx-generic-tl-wr740n-v1-squashfs-sysupgrade.bin
O wget é na mesma linha do http://... e o sysupgrade do openwrt-ar... (mas faltou espaço aqui). Os comandos acima baixam a firmware no /tmp do roteador (que fica apenas na memória RAM), e gravam a firmware sem preservar as configurações. Claro, troque a URL e o nome do arquivo para o respectivo do seu modelo.

E se não tiver internet no roteador? Baixe na sua máquina e copie por scp (winscp no windows) para o /tmp do roteador. O scp é a cópia por SSH e, portanto, vai exigir que você defina uma senha no roteador (comando passwd) para ativá-lo antes da cópia. Com o arquivo em /tmp, execute o sysupgrade como mostrado anteriormente.

E para a última alternativa? Já escrevi sobre isto anteriormente. Depende de cada modelo/fabricante.

Se encontrar algum bug, seja na versão em desenvolvimento ou mesmo na versão estável, você pode reportar em https://dev.openwrt.org/newticket (somente em inglês). Só não esqueça de informar a release que você está usando (como r39913).

Até a próxima.

domingo, 29 de dezembro de 2013

OpenWRT: Recuperação de desastre em vídeo

Este é mais um artigovídeo da série sobre o OpenWRT

Depois de diversas dúvidas na postagem sobre recuperação do OpenWRT, resolvi mostrar os procedimentos em vídeo. Assim ficam menos dúvidas de como apertar o botão, quando, e o que é esperado.





Até a próxima! E feliz 2014!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

OpenWRT: Problemas com o TP-Link TL-MR3420

Mais de duas pessoas entraram em contato comigo para tentar resolver problemas com o roteador TL-MR3420 da TP-Link. O que sempre recomendo é entrar no modo de recuperação. Para quem utiliza firmwares do tipo squashfs, este recurso é uma bênção. Porém, por alguma razão antes desconhecida por mim, nenhum deles conseguiu ativar o modo de recuperação. Uma vez, culpe o usuário. Duas, o desenvolvedor.

Investigando um pouco melhor, entrei no artigo da wiki do OpenWRT sobre este roteador. E encontrei este aviso logo na abertura:
The failsafe function is not working at launch time, serial is also unfriendly: Stick to trunk. More...
Isto referenciando a versão backfire 10.03.1, a última estável e que a maioria usa. Bem, isto quer dizer que quem possui qualquer versão atualmente estável do OpenWRT neste roteador não poderá utilizar o modo de recuperação.

A correção ocorreu neste patch, mas isto foi tarde demais para a versão lançada. Basicamente, o problema ocorreu com o nome dos botões "Reset" e "QSS". Por não achar os botões no processo de iniciação do roteador, eles não podem ser utilizados para acionar o modo de recuperação.
Sempre é importante ler a documentação do seu modelo na wiki do OpenWRT. Cada modelo possui suas peculiaridades e é importante conhecer os pontos fracos e problemas de compatibilidade com o seu roteador antes de instalar o OpenWRT pela primeira vez.
Bem, o que eu posso fazer, então? Depende da sua situação.

Se ainda está pensando em usar o OpenWRT para este roteador, sugiro que espere o lançamento da versão "12.09", que já está em beta2. Logo teremos uma versão estável.

Se estiver já com o OpenWRT funcionando e em uma versão 10.03.1 ou inferior, procure não alterar configurações críticas como firewall, interfaces de rede, VLAN, até o lançamento e atualização da nova versão.

Para os mais corajoso (ou malucos como eu), você também pode ajudar a melhorar a próxima versão do OpenWRT. Instale agora mesmo a versão beta2 e ajude a encontrar os bugs. Ao menos o "modo de recuperação" deve funcionar sem problemas.

Caso você já esteja na situação onde o roteador não está funcionando por algum problema de configuração, resta apenas a alternativa da recuperação pela serial. Com a serial, você poderá interagir com o seu roteador assim como já fazia com uma conexão SSH. Isto é suficiente para recuperar casos pontuais como problemas na configuração de rede ou firewall. Se ainda funciona os comando básicos, você pode também solicitar que todas as configurações sejam apagadas.

Caso o problema seja mais grave, como ter apagado metade dos arquivos, também é possível acionar o "modo de recuperação" por comandos na serial. É o mesmo mecanismo que funcionaria com os botões se estes estivesse configurados corretamente. As mensagens durante o boot vistas pela serial indicarão o momento para se manisfestar e ativar o modo de recuperação.

Os modelos TL-MR3420 com problema já devem estar funcionando com os procedimentos anteriores. Porém, com a serial funcionado, vale a pena citar mais uma funcionalidade. Em casos mais extremos, é possível gravar uma nova imagem interagindo diretamente com o gerenciador de boot (UBoot). Enviando comandos pela serial, podemos solicitar ao roteador que carregue uma nova imagem pela rede (via TFTP) e grave na memória. Mesmo se não possuir rede, é possível enviar a firmware pela serial pelo protocolo kermit (já fiz e realmente funciona). Neste caso, o processo é mais demorado do que o TFTP mas pode ser necessário se seu computador não possui uma interface Ethernet cabeada.

Alguns roteadores, não os modelos da TP-Link, já estão configurados para mais uma forma de recuperação mais "simples", em especial para a situação de firmwares defeituosos gravados. "simples" por não precisar de uma serial mas as vezes mais complicada por envolver tempos definidos e configurações de rede rígidas. Nestes roteadores, o gerenciador de boot aguarda o envio da firmware, por TFTP, em um espaço curto de tempo durante a iniciação. Se receber, gravam no roteador. Se não, seguem normalmente o processo. Contudo, novamente, tudo isto depende de cada roteador.

Boa sorte aos colegas com problemas e tentarei ajudar no que eu puder para recuperá-los. Só garanto uma coisa: depois de recuperar o roteador usando a serial, você não terá mais medo de alterar qualquer coisa no roteador e de gravar qualquer firmware.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

OpenWRT: Recuperação de desastre

Mais um artigo da série sobre o OpenWRT. Neste artigo vou tentar ajudar os usuários que, por ventura, tenham feito algo de errado com seus roteadores com OpenWRT.

Depois de diversos pedidos de ajuda após problemas com o OpenWRT, achei interessante criar uma postagem para tentar ajudar a diagnosticar problemas e, com sorte, resolvê-los. O que mais escuto é: nada funciona! Vamos tentar derivar a afirmação catastrófica em coisas mais palpáveis. Como diria o Jack, vamos por partes.

O que você pode fazer que "estragaria" o OpenWRT? As possibilidades são limitadas. A mais comum é uma falha de software provocada. Alguma coisa (incluindo a coisa você) pode ter "estragado" o sistema de arquivos. Você pode ter editado/apagado algo que não devia ou ter enchido a partição de dados. Outra possibilidade é que alguma alteração da configuração fez com que alguma (ou todas as) funcionalidade do roteador deixasse de funcionar. Se você está usando a imagem recomendada no formato squashfs, no pior dos casos, você pode entrar no modo de recuperação, que veremos mais adiante. Mesmo que você exclua todos os arquivos, a recuperação é tranquila. Isto porque no caso do squashfs, a imagem inicial do OpenWRT não é alterada. Todas as modificações são gravadas em uma área separada, que pode ser limpa ou ignorada com o modo de recuperação. Se é tudo tranquilo, quando que não é?

O mais simples dos desastres é um dano físico. Deixar cair o roteador, molhar, alta tensão, são coisas que podem estragar os componentes eletrônicos. O OpenWRT não tem culpa neste caso e a instalação do OpenWRT não causa falhas físicas (e também não irá resolvê-las). Então, se já com o OpenWRT ele funcionava e "deixou de funcionar" sem ninguém mexer, deve estar nesta categoria. Se "deixou de funcionar" após algum evento não físico, vai ser o caso anterior ou o próximo.


O dano tão grave quanto um problema físico é um problema durante a fase de gravação da firmware/imagem. Isto vale tanto na troca da firmware original pelo OpenWRT como na atualização do OpenWRT para outra versão. Os problemas são diversos: imagem corrompida, imagem incompatível (modelo ou versão do hardware), uso de imagem de versão em desenvolvimento (trunk), interrupção por falta de energia... Neste caso, se o roteador "não responde", provavelmente você terá que usar um cabo serial para recuperar o roteador. Conheço apenas estes métodos "normais" de gravar a firmware de dentro do OpenWRT:
  1. gravando a firmware pela interface Web
  2. usando o comando sysupgrade,
  3. usando o comando mtd ou,
  4. mais hardcore, o comando dd interagindo com o dispositivo /dev/mtd* (mtd seguido de qualquer coisa).
Se a última coisa que você fez não foi um destes comandos ou não envolveu o caminho /dev/mtd*, provavelmente seu problema é sistema ou físico.

Como identificar até onde o roteador funciona? Precisamos entender um pouco do processo de boot do sistema. Após ligar o roteador na tomada, ele dispara o gerenciador de boot. No Linux, hoje em dia, temos o grub ou o syslinux. Para os dispositivos embarcados, como os roteadores, isto varia. Os TP-Link usam uma versão customizada do U-boot. Outros usam RedBoot. Tudo depende. Vamos a alguns casos comuns:
  1. Se o roteador nem deu sinal de vida, nem piscou, é provavelmente uma falha física.
  2. Se ele ligou e após um curto momento (1 segundo, por exemplo) ele apagou tudo e parou ou entrou em um processo de repetição, provavelmente você tem uma firmware inválida e precisa recuperar com o auxílio de uma serial.

Algumas pessoas nesta situação testam as portas Ethernet locais para comunicação entre duas máquinas e, quando funciona, dizem que o roteador está funcionando. Estas portas, na grande parte dos casos, possuem um circuito dedicado que realiza a tarefa de um switch. Então, não é condição determinante para avaliar a operação do roteador.

O processo de boot do kernel e do sistema do OpenWRT é ligeiramente rápido e termina em poucos segundos. Esperar por vários minutos provavelmente não irá resolver seu problema. Então "o tempo cura tudo" não se aplica neste caso. Para modelos TP-Link, o LED "system" começa a piscar logo que o roteador inicia o processo de boot e o OpenWRT, ao final do deste processo, troca o estado deste LED de "piscando" para "ligado constantemente". É um indicativo que ele terminou de ligar o sistema. Se o LED nunca deixa de piscar, pode ter algo que impeça a inicialização do sistema ou ele travou. Pode tentar resolver com o modo de recuperação ou, em casos mais graves, recuperar com o auxílio de uma serial.

Algumas reclamações sobre problemas são que a "rede sem fio não funciona". Se este é o seu caso, fique feliz. Leia o artigo sobre configuração. A rede sem fio, por padrão estará desligada. Use o cabo durante a configuração. Outra possibilidade, remota para modelos suportados e versões estáveis, é de alguma incompatibilidade com o driver da placa sem fio do seu roteador. Se em algum momento ele funcionava com o OpenWRT e deixou de funcionar, é problema de configuração e não incompatibilidade. Se não souber o que foi feito, zere as configurações ou entre no modo de recuperação.

Outra ferramenta muito útil para diagnosticar o que ainda funciona no roteador é um sniffer de rede. Recomendo o wireshark, que funciona em qualquer sistema operacional comum. É o canivete suíço para diagnosticar quase qualquer problema de rede. Preferencialmente, force a sua interface de rede local para sempre estar levantada, com configuração IP fixa e escute o tráfego pelo wireshark. Se o roteador falar algo, já é um bom sinal. Pode observar a origem dos pacotes pelo endereço físico (MAC).

Agora, vamos para as técnicas:

Zerar as Configurações

Se você fez algo de que se arrepende mas não sabe como resolver, no pior dos casos, zere as configurações. Isto pode ser feito pela interface Web ou usando um terminal (SSH, Telnet ou cabo serial) com o comando "firstboot". Reinicie o sistema e ele estará com as configurações que você tinha logo após instalar o OpenWRT.

Modo de Recuperação (referencia)

É comum escutar alguém dizendo que "o roteador não reseta mais". Sim, com o OpenWRT, o botão "reset", normalmente escondido dentro de um furo no gabinete, não serve para zerar o roteador. Ele é a entrada para iniciar o modo de recuperação. Porém, ele somente pode ser acionado durante um pequeno momento após iniciar o roteador. Logo que o roteador é ligado e o OpenWRT assume o controle, ainda antes de ler as mudanças do disco e configurações, ele envia um pacote UDP pela rede com o seguinte conteúdo: "Please press button now to enter failsafe". Nesta hora, pressione o botão, mas seja rápido. Uma dica é observar o primeiro pacote enviado pelo roteador depois de ligado nas informações da placa de rede. Este primeiro pacote será o aviso do modo de recuperação. Em geral, na ausência do botão de "reset", um botão físico qualquer é usado.

Outra alternativa para iniciar o modo de recuperação é pela serial. Observe as mensagens de boot até que irá aparecer a mensagem: "Press the [f] key and hit [enter] to enter failsafe mode". Como a mensagem diz, pressione a letra "f" e depois "enter", mas seja rápido.

No modo de recuperação, o roteador irá ignorar todas as alterações feitas no passado no disco. Isto inclui mudanças nos arquivos, configurações e pacotes instalados. A configuração de rede do roteador será 192.168.1.1, com máscara 255.255.255.255 (/24). Para seu computador conseguir conversar com o roteador, ele deve ter um endereço na mesma rede como, por exemplo, 192.168.1.2, máscara 255.255.255.0. O DHCP ou interface Web não estarão funcionando. O roteador estará esperando uma conexão Telnet, que acessará o roteador sem usar senha (ex: telnet 192.168.1.1).

Se seu problema é mais pontual e você quer simplesmente alterar alguma coisa como uma regra de firewall, execute o comando "mount_root". Você poderá, então mudar as configurações ou trocar a senha de root com o comando "passwd". Porém, se a ideia é simplesmente rezar as configurações, execute o "firstboot".

Deslige e ligue o roteador ou execute "reboot -f" para testar suas alterações.

Usando um Cabo Serial

O uso do cabo serial é extremo e especializado para cada modelo. Busque maiores documentações na página de seu dispositivo na Wiki do OpenWRT. Normalmente, os fabricantes não se preocupam em facilitar o acesso à serial do dispositivo, mesmo ela existindo. Em geral, nos modelos mais baratos, o acesso da serial depende da solda em algum ponto da placa do roteador. Em alguns casos, é um local bem acessível. Em outros, você precisa de uma precisão cirúrgicas (é o cabo fino da imagem em zoom). Outro ponto para ser observado é que a serial do roteador pode não ser uma serial convencional. Ela pode usar tensão abaixo do padrão da serial (nível de tensão TTL), que depende de um circuito divisor de tensão ou adaptador. Neste caso, alguns cabos de celular realizam esta tarefa com perfeição. Eu usei um cabo DKU-5 antigo para celular Nokia. Se ligar um cabo serial convencional neste caso, ele vai fritar a placa do seu roteador.

Uma vez com o acesso serial, você precisa de um emulador de terminal. O minicom no Linux ou o Hyperterminal no Windows cumprem esta função. Identifique a configuração necessária para o seu dispositivo, por exemplo 115200 8N1, e aplique no seu emulador de terminal.

Se estiver funcionado, você receberá mensagens logo que ligar o dispositivo. Neste ponto, você poderá interagir com o gerenciador de boot, trocar parâmetros ou até mesmo gravar uma nova imagem. Tudo isto depende do modelo em questão. Novamente, busque documentação na wiki, informações em fóruns.


Espero que estas dicas ajudem aos aventureiros a resolver seus problemas de configuração. Até a próxima.